Fright Like a Girl

  • Home
  • Meus Trabalhos
  • Postagens

Lendo textos e ensaios e livros sobre a história do terror (na literatura e no cinema), é impossível, praticamente, não encontrar menções ao livro Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson. Considerado um dos grandes clássicos do gênero do século XX, o livro inspirou uma série de outros autores e de tendências nos anos após seu lançamento. 

Quando tive que escolher um livro apocalíptico para o Desafio Fright das 5 às 7 de junho, eu logo pensei nele. Como vocês, fiéis seguidores, podem ter percebido, tenho escrito pouco aqui, porque, na verdade, tenho lido pouco. Tenho dormido mais cedo e lido menos, então pensei em escolher um livro que já estava há muitos anos na minha lista de leitura e que ainda não tinha tido a oportunidade.

Eu sou a Lenda (li na edição da Aleph, com tradução de Delfin) conta a história de Robert Neville, um homem que se vê sobrevivendo sozinho em um mundo assolado por uma praga que transformou a todos em mortos-vivos vampiros. Ao longo do livro, através da narração em terceira pessoa, descobrimos aos poucos o que aconteceu com o mundo que o fez chegar a esse ponto, como são esses vampiros, quais são suas características especiais e o que faz deles uma ameaça tão potente. 

Neville era um cara que tinha esposa, tinha uma filhinha, e tudo lhe foi tomado por essa terrível realidade que se abateu sobre ele. Nós acompanhamos o dia a dia de um homem alquebrado, mas espantosamente são (apesar de seus momentos de devaneios e raiva), visto que por muito menos outros teriam perdido completamente a cabeça (eu teria).


A narrativa de Eu Sou a Lenda também não pega leve com Neville. Ele não é exatamente um cara legal, ótimo, boa pinta. Ele é um cara que tem seus defeitos (e vários) e isso fica muito claro pela forma como ele pensa nas mulheres e seu instinto sexual diante de estar sozinho no mundo, na forma como ele lida com determinadas situações, na forma como ele se sente quando está completamente sozinho e afunda a cara na bebida. 

Se isso é bom ou ruim, aí vai do leitor. Mas é interessante ver como isso é colocado ao longo da história. Para mim, o fato de ele ser um cara extremamente humano diante de uma situação tão catastrófica e essas sensações extremamente humanas dele serem expostas da forma que estão conforme avançamos no livro deixa as coisas ainda mais críveis.

Em um mundo de horror monótono, não podia haver salvação, nem nos sonhos mais loucos. Ao horror, ele se ajustou.

Um dos pontos altos do livro de Matheson, para mim, foi o desespero que emana repetidamente dessas páginas. O começo é morno, mas conforme avançamos em direção ao final nosso próprio desânimo enquanto leitores, pessoas que acompanham essa história, aumenta junto ao do personagem. Há uma situação mais ou menos no meio do livro que leva esse sentimento doloroso ao ápice para que, no final, a gente solte um suspiro pesado de terror que ficou entalado na garganta desde aquele momento.

É bacana acompanhar essa derrocada. É uma descida ladeira abaixo com uma sensação de vazio constante que preenche a gente. É, um vazio que preenche, sim. A gente fica meio desacreditado, mas completamente ciente daquilo tudo. E uma coisa que o Matheson coloca ao longo da narrativa, mais de uma vez aliás, é essa capacidade do ser humano de se adaptar a quase qualquer coisa, por pior que seja. 

É bastante deprimente, sim, mas muito crível. Não crível do tipo "meu deus, os vampiros vão dominar o mundo". Mas crível do tipo "caramba, os seres humanos podem sim ser, e sempre que tiverem a chance serão, horríveis".

Não quero dar spoilers, mas também preciso mencionar que adorei a forma como ele quis lidar com a tradição dos vampiros. Nessa realidade de Eu Sou a Lenda, as histórias de vampiros existem. Ele cita Drácula e alguns outros, e essas histórias chegam a auxiliar nosso protagonista a entender o que pode estar acontecendo. Mas, na verdade, é tudo extremamente científico. É um toque bem bacana.

Conforme os anos se passam eu fico mais interessada de ler algumas dessas histórias. Talvez, se eu tivesse lido esse livro há alguns anos, eu não teria gostado dele tanto quanto gostei hoje. Então acho que meu instinto de dar tempo ao tempo tem sido muito útil para mim.

Ainda não assisti o filme com o Will Smith de 2007. Na verdade, só vi a adaptação com o Vincent Price. Queria ter assistido ambas antes de fazer o texto, mas não tive tempo (passei meu final de semana inteiro assistindo Terrifier), então esse complemento vai ter que ficar para outra hora. Mas foi uma leitura que eu gostei bastante de fazer, e finalmente posso tirar esse livro da minha lista de leitura.

Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson, está disponível na Amazon* em formato físico ou ebook.



---
*Comprando com meus links da Amazon, você dá aquela forcinha sem pagar nada a mais por isso :)
Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

A primeira vez que li Anne Rice, assim como a maioria das pessoas, foi na adolescência. Entre uma aula e outra do conservatório na cidadezinha em que eu morava, eu conversava com um grupo de amigos que começou a me recomendar história. Entre elas, Anne Rice. Também devo um pouco dessas recomendações a outro grupo de amigos, mais velhos, que jogavam RPG e tinham vivido a juventude deles uns anos antes da minha. 
Share
Tweet
Pin
Share
7 comentários
Em parceria com a BBC, a Netflix lançou neste dia 04 de janeiro uma miniassérie criada por Steven Moffat e Mark Gatiss, adaptação do livro de Bram Stoker, de 1897, Drácula. A série, bem como foi Sherlock, que também é de criação de ambos, é uma adaptação bastante livre, que tem uma série de liberdades em relação à obra.

Drácula é um dos meus assuntos favoritos da vida. Foi o tema da minha monografia (O vampiro fin-di-siècle: História, Literatura e Imperialismo em Drácula, de Bram Stoker (1897), que pode ser acessada aqui), e devo a ele grande parte do que sou hoje. Toda minha aspiração para estudar terror veio a partir disso.

Drácula da BBC, e o personagem secular de Bram Stoker

Então, achei que seria divertido escrever minhas impressões sobre a série e o uso que ela faz da obra. As informações a seguir foram retiradas das pesquisas que fiz durante a minha pesquisa, sendo as impressões da série somente minhas mesmo.
Share
Tweet
Pin
Share
1 comentários

O mito do vampiro está aí na humanidade faz umas boas centenas de anos. Desde, no mínimo, a Grécia Antiga temos registros de histórias sobre criaturas mortas-vivas que se alimentam de sangue, ou de vida, independente de qual forma. E um dos motivos de ter sobrevivido por tanto tempo é sua facilidade de alegoria, sua facilidade de mudança, e sua facilidade de adequação.
Se um dos maiores medos humanos é a morte, uma das grandes criaturas aterrorizantes da humanidade é o vampiro. Ele morreu, mas retornou, e agora se alimenta da morte de outras pessoas. Ele é um amálgama desse terror da morte.

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

Julian Hawthorne (1846-1934) foi um escritor e jornalista norte americano. Filho de Nathaniel Hawthorne, autor conhecido por A Letra Escarlate e um dos maiores contistas do estilo gótico dos Estados Unidos, e de Sophia Hawthorne, ilustradora e pintora de diversos jornais, Julian era conhecido de Bram Stoker, sempre sendo convidado para ir ao Lyceum (teatro em que Stoker trabalhava) para visita-lo quando estava em Londres.
Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

A franquia Underworld (Anjos da Noite no Brasil) começou a ser lançada em 2003. Seu primeiro filme, que leva o nome somente de Underworld, conta a história de uma guerra muito antiga entre vampiros e lobisomens, e como a vampira Selene (Kate Beckinsale) acaba descobrindo uma série de tramóias e corrupções dentro de seu próprio clã.
Share
Tweet
Pin
Share
3 comentários

Antes de Drácula, grande clássico da literatura de terror publicado em 1897 por Bram Stoker, uma série de outros autores se debruçaram sobre o tema "vampiros". Esse foi o tema da minha monografia, intitulado "O vampiro fin-di-siècle: História, Literatura e Imperialismo em Drácula, de Bram Stoker (1897)", e já toquei nesse ponto algumas outras vezes no blog, nos textos "As mulheres na literatura de vampiros do século XIX" e "O Mistério da Campagna, de Anne Crawford". Me interessa, principalmente, as mulheres nessas obras - como autoras ou como personagens.
Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

Crepúsculo, o filme que mais atraiu fãs e haters durante esses anos, está completando 10 anos de sua data de estreia. O filme foi lançado em 2008, baseado no livro de mesmo nome de Stephenie Meyer, e rendeu uma franquia de qualidade duvidosa, mas que atraía uma quantidade considerável de jovens.

É necessário dizer que Crepúsculo não entra na categoria filmes de terror, mas achei importante escrever um texto sobre a série de filmes, visto que 1) é uma franquia de grande sucesso que trouxe os vampiros de volta aos holofotes (vocês podem aceitar ou não, mas trouxe); 2) meu foco principal de pesquisa são, ainda, vampiros, mesmo que eu trabalhe com o terror de forma geral.
Share
Tweet
Pin
Share
4 comentários
Marcilla ataca a adormecida Bertha, Ilustração do de D. H. Friston (1872) (Fonte: Wikipedia). Ilustração geralmente atribuída à Carmilla, mas que serve ao propósito de ilustrar o texto a seguir.

Share
Tweet
Pin
Share
1 comentários

A Última Travessia, de Mats Strandberg, traduzido por Fernanda Sarmatz Ã…kesson, é um livro lançado recentemente pela Editora Morro Branco.

Share
Tweet
Pin
Share
2 comentários
Marcilla ataca a adormecida Bertha, Ilustração do de D. H. Friston (1872) (Fonte: Wikipedia)

Se pensarmos na figura do vampiro como uma alegoria ao que acontece no contexto social e cultural de determinado momento, podemos compreender algumas escolhas de autores e diretores na hora de produzirem suas obras.
Share
Tweet
Pin
Share
2 comentários
Older Posts

Quem escreve

Jéssica Reinaldo

Formada em História, editora, gasta todo seu tempo pensando em livros e filmes de terror. Gosta muito de um bom café, cozinhar, trabalhos manuais e fazer carinho em bichinhos. Atualmente esta entidade habita a área de SP, onde reside com seu esposo e quatro gatinhos.

Me siga

  • Instagram
  • Letterboxd

Me mande um alô!

Nome

E-mail *

Mensagem *

Pesquisar

Tags

América Latina Anne Rice Clássicos Conforto Literário Fright das 5 às 7 Crimes reais Crônicas Vampirescas DarkSide Books Dicas de Filmes Dicas de Leitura Filmes Filmes de terror Gótico Listas de livros Livros Brasileiros Mulheres Diretoras Mulheres Escritoras Mulheres no Terror Opinião Shirley Jackson Séries Teoria de Terror Vampiros indicações leituras de terror

Blogs amigos

  • Cine Varda
  • Blog da Michelle
  • Newsletter da Michelle
  • Coluna Coágulo
  • Blog da Tati
  • Newsletter da Clara
  • Momentum Saga

Leia também

Leia também

Conheça o Não Apague a Luz

Conheça o Não Apague a Luz

Arquivo

Created with by BeautyTemplates