Fright Like a Girl

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Em junho do ano passado li Rinha de Galos, da María Fernanda Ampuero. Foi meu primeiro contato com a literatura da autora, que já tinha sido extremamente recomendada para mim. Comentei algumas vezes aqui no blog do quanto gosto da literatura da América Latina, principalmente da escrita por mulheres, então é claro que assim que me foi possível eu fui atrás de Rinha de Galos.

O livro é um chute na cara e um soco no estômago extremamente bem dados. Falei um pouco dessa leitura aqui no blog. Então, quando a Editora Moinhos trouxe outro livro da autora, Sacrifícios Humanos, eu logo adicionei na minha lista. Aproveitei para lê-lo esse mês, no Desafio do Conforto Literário, que organizei com a Michelle e estou participando desde janeiro.


 Sacrifícios Humanos, de María Fernanda Ampuero (Editora Moinhos, com tradução de Silvia Massimini Felix), é, assim como Rinha de Galos, uma antologia de contos curtos, com 12 contos no total. O livro, também, é bem curtinho, com menos de 120 páginas, mas passa na sua vida como um furacão dos mais potentes.

Ao longo dos contos nos deparamos com histórias dramáticas e cruéis, histórias de violência e horror, de imigração e de raízes e tradição, de mulheres que caem nas histórias de homens que, logo em seguida, lhes mostram a verdadeira face. De trabalhadores e trabalhadoras e sofrimento e suor e sangue. Há também uma certa inocência e ironia em algumas personagens dos contos.

Mulheres desesperadas são a carne da moenda. Nós, imigrantes, além disso, somos os ossos que trituram para que os animais comam.

A maioria das histórias reunidas em Sacrifícios Humanos se apoia no dia a dia, na humanidade e na sua própria podridão mas há uma inclinação sobrenatural em alguns deles, como em "Irmãzinha" e "Sacrifícios". Mas isso é apenas um pequeno artifício para o terror palpável, para o terror de carne e osso que se esconde nas narrativas de Ampuero.

Meus contos favoritos do livro foram "Biografia", "Irmãzinha" e "Invasões". Senti que Sacrifícios acaba sendo "mais leve" que Rinha de Galos, ainda que ambos tenham leituras pesadíssimas. Mas, de alguma forma, mesmo que ambos falem dos mesmos temas, a leitura me pareceu menos tenebrosa. Como comentei na resenha do outro livro, em que eu tive que parar vários momentos para consertar meu rosto, que estava retorcido de nojo, esse eu não tive tantos momentos assim.


Me pareceu que a violência aqui era muito mais direta, muito mais mundana. Não era tão absurdo como Rinha. Como assistir a um noticiário, sabe? Não é apatia, é só que você meio que conhece algumas daquelas histórias, você espera que elas se desenrolem da forma que se desenrolam. E isso não é uma crítica negativa. Ver certas narrativas de abusos e horror narradas dessa forma, no livro, expõe diversos sentimentos nossos, todos de uma vez. Sabemos que são histórias de ficção, mas são histórias que poderiam ser reais (e que acabam sendo, em diversos lugares), e isso sempre mexe muito com a minha cabeça.

Eu acho que se eu fosse recomendar um livro para começar a ler María Fernanda Ampuero, seria esse aqui. E, depois, seguir com Rinha de Galos. Acho que funciona bem, ainda mais para quem não está acostumado com a literatura absurda e estranha da América Latina.

Sacrifícios Humanos, de María Fernanda Ampuero, pode ser comprado em formato físico ou ebook na Amazon* ou no site da Editora Moinhos.

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*Comprando com meus links da Amazon, você dá aquela forcinha sem pagar nada a mais por isso :)

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Quando terminei Nossa Parte da Noite fiquei um pouco preocupada de que poderia me afundar em algum tipo de ressaca literária e não conseguir ler mais nada durante meses — e mesmo assim fiz um calendário muito otimista de leituras para o blog. Mas, não foi o que aconteceu. Assim que terminei de ler Nossa Parte da Noite eu estava tão empolgada para ler O Ano das Bruxas que comecei direto, e logo terminei de lê-lo.
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Tive uma conexão imediata com Nathaniel Hawthorne quando li A Letra Escarlate, ano passado. Foi algo repentino e não imaginei que fosse tão forte, mas quanto mais os dias se passaram mais eu pensava no Hawthorne e como eu queria ler tudo e qualquer coisa que ele tivesse escrito. 
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A primeira vez que li Frankenstein foi há alguns anos atrás, em uma edição econômica, sem muitos detalhes, sem textos adicionais, sem apresentação e sem prefácio. Mas, naquele momento, nada disso importou muito. Foi uma experiência única e naquele instante soube que seria uma obra pra vida inteira. Depois de alguns anos, eu precisava reler, precisava me lembrar dos detalhes, precisava conhecer mais sobre a Shelley, e achei que seu aniversário de 223, comemorado em 30 de agosto, seria um bom momento para isso. 
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A Menina do Capuz Vermelho e Outras Histórias de Dar Medo, de Angela Carter

Dias atrás Lady Sybylla, do blog Momentum Saga e uma enorme inspiração para esse próprio blog, comentou comigo sobre os livros da Angela Carter, e eu me lembrei que eu estava devendo essa leitura fazia uns anos. Angela Carter é um nome importante não somente no terror, mas também no feminismo e no estudo dos contos de fadas. Carter escreveu uma série de livros e contos em sua vida, escreveu roteiros para filmes e reuniu em volumes contos de fadas de uma variedade incrível, de vários lugares do mundo e que, até então, eu mesma nunca tinha ouvido falar.
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As mulheres sempre estiveram presentes no terror. As vezes apagadas, as vezes esquecidas, as vezes ignoradas, mas sempre fizemos parte desse universo. Em grande parte, as obras de mulheres no terror atingem o patamar de grandes clássicos, grandes autoras e diretoras que, mesmo com um enorme esforço masculino para que sejam deixadas de lado, acabam sendo lembradas hora ou outra.

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Jéssica Reinaldo

Formada em História, editora, gasta todo seu tempo pensando em livros e filmes de terror. Gosta muito de um bom café, cozinhar, trabalhos manuais e fazer carinho em bichinhos. Atualmente esta entidade habita a área de SP, onde reside com seu esposo e quatro gatinhos.

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