Fright Like a Girl

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Desde que comecei a prestar mais atenção aos nomes e aos títulos que consumo enquanto leitora, surgiu uma necessidade de conhecer o trabalho de autoras que não conhecia mas que, de alguma forma, são importantes para os meus próprios trabalhos. Conhecer autoras que ajudaram a pavimentar o caminho para o terror, que foram esquecidas dentro do cânone, que são grandes nomes e que nem sempre são lembrados nos momentos de listagem de grandes autores.  
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Representação de Bertha, ilustrada por F. H. Townsend, responsável pelas ilustrações da segunda edição de Jane Eyre, em 1897.

Os tropos do terror são interessantes. Eles servem, se aplicados aos seus contextos, para identificar e discutir estereótipos presentes na sociedade. As escolhas tomadas por diretores e escritores dizem muito sobre o período em que estão inseridos, a sociedade, a cultura. 
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O horror social está em alta. E muitos virão me dizer "mas sempre esteve, não podemos retirar a carga política de uma obra", e eu concordo, isso nem tem que ser discutido. Entretanto, é importante perceber como um tipo de atenção nesse contexto foi reforçado nos últimos anos, até que chegamos em um ponto altíssimo durante 2019. Temos uma lista extensa dos filmes que foram lançados esse ano (e até nos últimos dois ou três anos, certo, principalmente no Ocidente/Estados Unidos — visto que essa tendência no Oriente já é mais antiga) que se seguram nisso, utilizam essa força, para contar suas histórias.

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Ilustradora, designer e autora, Amanda Miranda é uma jovem artista de visual, trabalhando no ramo desde 2013. Já fez alguns trabalhos de encartes de CDs para bandas como Francisco El Hombre e Liniker e os Caramelows, e trabalhos para o site The Intercept Brasil. Utiliza de diferentes técnicas para seus trabalhos, mas uma de suas grandes características são as cores fortes e vibrantes. Em seus trabalhos mais recentes que serão tratados aqui, seus três quadrinhos: Hibernáculo, Juízo e Sangue Seco Tem Cheiro de Ferro, Amanda tem utilizado de questões existenciais e até mesmo de body horror para compor narrativas desconfortáveis.

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O Beijo do Deus Sombrio, C. L. Moore

Quando pensamos em Weird Fiction, pensamos em nomes como H.P. Lovecraft, Ambrose Bierce, Algernon Blackwood, entre tantos outros autores que publicaram em revistas como a própria Weird Tales, etc. São os nomes que mais chegam até nós quando jogamos a palavra "weird fiction" no google. O que por vezes nos esquecemos, ou acabamos ignorando, assim como em todos os outros subgêneros dentro do horror ou ficção científica, é a presença feminina nesse meio.
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Eu gosto de filmes do subgênero home invasion. Antes que digam que eu não gosto, eu gosto. Home invasion é aquele subgênero em que pessoas ficam presas em uma casa e são perseguidas por algum assassino, psicopata, maníaco, qualquer coisa dessas. Um dos filmes que mais gosto, inclusive, é desse subgênero. Hush, dirigido por Mike Flanagan, é um dos meus filmes preferidos do diretor e um dos filmes que eu sempre recomendo por aí.

Mas eu proponho uma reflexão: esses filmes geralmente apelam para uma mulher, ou sozinha ou com seus filhos, sendo perseguida dentro de casa por algum (ou alguns) maníacos.
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Final Girl é um filme de 2015, dirigido por Tyler Shields e escrito por Johnny Silver e Stephen Scarlata. O filme se concentra em um homem que passa a treinar uma garotinha por vários anos até que ela tenha idade suficiente para se vingar de um grupo de garotos que perseguem e matam mulheres loiras, sem motivo aparente.

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Elsa Lanchester em The Bride of Frankenstein

A Noiva de Frankenstein é um filme de 1935, dirigido por James Whale. Faz parte da longa tradição dos Monstros da Universal, que durou quase três décadas, e tem imenso peso e importância para os filmes de terror que vieram a seguir. O filme conta a história de como seria uma continuação de Frankenstein, caso a criatura tivesse conseguido o que queria daquele que o criou: uma companheira.
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Frankenstein 200: HQ nacional que reimagina a história da criatura de Mary Shelley

Repensar criaturas clássicas do terror pode parecer um trabalho fácil, mas não é. Por serem monstros consolidados na ficção, muitas vezes alguns elementos importantes de suas histórias são deixados de lado.
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A graphic novel Floresta dos Medos, de Emily Carroll, lançada pela DarkSide Books com a tradução de Bruna Miranda, é uma obra daquelas de ler de uma vez, antes de dormir, com a luz fraca.
Claro, isso não é uma regra, mas deixa tudo mais especial.

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Como dito no texto Desafio de Março: terror dirigido por mulheres, resolvemos criar um desafio. Sabemos que as mulheres estão e sempre estiveram no terror, e é importante se lembrar disso diariamente, mas muitas pessoas (homens, sim) conseguem ignorar essa participação, não ligar, empurrar os problemas que a indústria do terror tem com as mulheres para baixo do tapete, e essas coisas desagradáveis. Tudo bem. Mas meu trabalho e o de tantas outras mulheres existem para que essa participação seja SEMPRE lembrada e reconhecida.

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Ser mulher já é combustível suficiente para escrever terror. Em um mundo onde mulheres tem menos direitos, são tratadas como objetos, onde governantes não lhes dão ouvidos, não levam em consideração suas necessidades e preocupações, ser mulher é mesmo terrível.

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Slashers nunca foram uma das minhas subcategorias preferidas no terror. Inclusive, posso dizer que foi uma das coisas que me manteve afastada do terror por muito tempo. Achava toda aquela perseguição e matança desnecessárias; e, convivendo com os fãs de terror que convivi, achava que só isso poderia ser considerado terror. Escrevi, meses atrás, um texto chamado “você não precisa gostar de slasher”, exatamente para ajudar a tirar isso da cabeça das pessoas: o terror e o horror não precisam ser só slasher, você pode gostar de outras coisas.

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Na imagem, da esquerda para a direita: Jovanka Vuckovic, Meosha Bean, Sloan Turner, Ana Lily Amirpour, Karyn Kusama, Gabriela Amaral, Soska Sisters, Anna Biler
Em fevereiro, nos Estados Unidos, é comemorado o "Women in Horror Month". O evento/festival/comemoração começou com a intenção de demonstrar e dar apoio às mulheres que trabalham na indústria do horror, tentando demonstrar que nós ocupamos um lugar importante, que terror não é coisa de homem, que mulheres são tão boas quanto qualquer um nessa indústria.
Em março, dia 08, comemoramos o dia internacional da mulher, uma data significativa para a luta das mulheres (e, para não fazer o texto maior do que o necessário, vocês podem ler um pouco sobre a data aqui).

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Famílias disfuncionais e dramas familiares são temas recorrentes no terror. Afinal, o que melhor que uma reunião de família para que as coisas se tornem desastrosas?

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E se, além do nosso mundo, existissem uma infinidade de outros mundos que, conhecendo nossas personalidades, nos levassem para lá e permitissem que experimentássemos a liberdade?
Liberdade real, de sermos quem realmente somos?
É mais ou menos sobre isso a história De Volta Para Casa, de Seanan McGuire, lançado em 2018 no Brasil pela Editora Morro Branco, com tradução de Ana Death Duarte;

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Publicado recentemente na coletânea "Contos Clássicos de Terror", pela Companhia das Letras, temos finalmente mais uma obra de Shirley Jackson traduzida para o português. "A Loteria", conto publicado originalmente em 1948, e traduzido nesta edição por Débora Landsberg, é mais um dos escritos de Jackson que faz com que tenhamos certeza de que foi, e ainda deve ser, considerada uma grande autora de terror.

O texto a seguir pode conter spoilers leves.

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Se você pudesse, traria os mortos de volta à vida?
Esse pode ser um tema muito trabalhado dentro do terror: incontáveis autores e produtores e diretores já se debruçaram sobre ele e deram seus olhares do que poderia acontecer caso isso fosse possível. Mas, uma das belezas de se trabalhar com temas que se repetem, é poder dar sua própria interpretação à eles.
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E isso não é um título click bait. Eu realmente pretendo apontar o por quê de Happy Death Day ser um ótimo filme.
Dirigido por Christopher Landon (Scouts Guide to the Zombie Apocalipse e Paranormal Activity: The Marked Ones) e escrito por Scott Lobdell (Man of the House), Happy Death Day, ou A Morte te dá Parabéns no título em português, acompanha a história de Tree Gelbman (interpretada por Jessica Rothe), que precisa reviver o dia de sua morte repetidas vezes até descobrir quem é seu assassino.

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Publicado em 2018 no Brasil pela DarkSide Books no selo DarkLove e com a tradução de Ana Death Duarte, Rastro de Sangue: Jack, o Estripador, é um livro de Kerri Maniscalco, autora norte-americana, nascida em Nova York (site da autora)
O livro conta a história de Audrey Rose Wadsworth, uma jovem da Inglaterra vitoriana, se passa em 1888 e acompanha (de forma ficcional e com algumas mudanças) um episódio bastante sangrento e cruel da história inglesa: a história do assassino Jack, O Estripador.

᠉ Parceria do Fright Like a Girl com a Editora DarkSide.

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Quem escreve

Jéssica Reinaldo

Formada em História, editora, gasta todo seu tempo pensando em livros e filmes de terror. Gosta muito de um bom café, cozinhar, trabalhos manuais e fazer carinho em bichinhos. Atualmente esta entidade habita a área de SP, onde reside com seu esposo e quatro gatinhos.

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