Todo dia um filme de terror: semana 3




Nos anos 1930 a Universal começou um projeto que ficaria para sempre presente na mente e no coração dos fãs do terror.

Quem moldou, afinal, a forma como vemos os monstros e as criaturas do terror, foram os filmes dos Monstros da Universal. Iniciativa que começou em 1931 e adaptou uma porção de histórias de terror do século XIX, as obras de distanciaram de suas originais e acabaram se tornando mais atrativas ao público do novo século. 

Por fim, nós reconhecemos e assimilamos muito mais o Drácula de Bela Lugosi, um homem bonito e galanteador, do que a besta monstruosa de Bram Stoker. O Frankenstein que vimos nos filmes se distancia bastante daquele criado por Mary Shelley.. O lobisomem, afinal de contas, se transforma quando atacado por outro lobisomem, e não a partir de algo que ingeriu, como no penny dreadful escrito por George W. Reynolds em 1857.

Nessa terceira semana de Todo Dia Um Filme de Terror a ideia foi assistir a esses filmes (A Noiva de Frankenstein, O Monstro do Lago Negro, O Fantasma da Opera, O Lobisomem, A Múmia, Frankenstein e Drácula), que eu já conhecia por alto mas precisava assistir com mais atenção e mais calma.

A lista:

28 de janeiro: Bride of Frankenstein (1935)
Direção: James Whale

Henry Frankenstein, em conjunto com Dr Pretorius, decidem trazer à vida mais uma criatura: dessa vez uma noiva para a criatura criada por Henry anteriormente.
A Noiva, interpretada por Elsa Lanchester, se tornou um ícone. É interessante perceber nesse filme que mesmo que a criatura quisesse tanto uma companhia por não aguentar mais se sentir sozinho, acaba percebendo que o que os doutores estão tentando — ou seja, criar vida — está muito além do que eles deveriam fazer. É mais interessante ainda que essa consciência repentina da Criatura aconteça após ele perceber que A Noiva não estava nenhum pouco interessada nele, sendo rejeitado novamente.


29 de janeiro: Creature of Black Lagoon (1954)
Direção: Jack Arnold

Uma expedição vai até a Amazônia para estudar a vida aquática do local.
É um filme incrível, mesmo. E é ótimo eles terem uma personagem de destaque como Kay, uma estudiosa que, como dito várias vezes durante o filme, foi quem possibilitou a viagem até a Amazônia. Todas as vezes que isso é dito, entretanto, é dito por um homem, e Kay não aceita muito bem seu sucesso.


30 de janeiro: Phantom of the Opera (1943)
Direção: Arthur Lubin

Um homem é demitido da Opera de Paris e tem sua obra prima roubada enquanto tenta fazer com que uma moça seja a estrela principal da grande Opera.
Phantom of the Opera nunca foi um título que me deixasse completamente feliz ou que me causasse entusiasmo, mas fiquei feliz ao assistir essa versão. Tem algo de cômico na forma que os dois pretendentes da Christine se parecem, algo de interessante na forma como retratam a vida de uma artista, que não pode se envolver amorosamente ou socialmente fora de seu meio de trabalho.


31 de janeiro: The Wolf-Man (1941)
Direção: George Waggner

Um homem retorna à casa de sua família e se vê atingido por uma maldição.
Primeiro: é interessantíssima a escolha do Bela Lugosi como cigano Bela, pois nesse momento Lugosi já era reconhecido como Drácula, e a história do Drácula está intimamente ligada aos ciganos (mesmo que não no filme, mas quando Bram Stoker escreveu seu livro ele sabia muito bem porque colocar ciganos por ali). Outra que Lon Charney Jr. está ótimo como lobisomem. É um bom filme.


01 de fevereiro: The Mummy (1932)
Direção: Karl Freund

Uma antiga múmia procura uma forma de ressuscitar sua amada Anck Su Namun.
Eu tenho um carinho especial pelos filmes da Múmia, menos o de 2017, que eu acho uma coisa odiosa. Mas os filmes de escavações e Egito sempre chamam minha atenção. E eu fiquei completamente apaixonada pela Helen, interpretada por Zita Johann. Apesar de achar que seu romance foi absolutamente forçado e ela merecia mais (assim como a Kay, de Creature of Black Lagoon), achei uma personagem de extremo bom gosto, e queria vê-la em outros filmes, com mais destaque, como foi o caso da Eve da regravação de A Múmia em 1999, interpretada pela Rachel Weisz.


02 de fevereiro: Frankenstein (1931)
Direção: James Whale

Um cientista resolve desafiar a todos os príncipios físicos e decide criar vida a partir de cadáveres.
Uma coisa que eu não consigo compreender ainda é como as pessoas podem sequer imaginar que o Henry (ou Victor) Frankenstein estava de alguma forma correta. Ele cria algo e joga pro mundo sem amparo nenhum e espera que as coisas dêem certo? A Criatura merecia vida melhor.


03 de fevereiro: Drácula (1931)
Direção: Tod Browning

Um Conde da Transilvânia resolve ir para Londres conquistar o mundo através de sua maldição particular.
Sinceramente minha relação de amor e ódio com Drácula é algo difícil de lidar. Depois de falar tanto sobre ele nos últimos anos eu sinto como se ele fosse meu grande amigo. O filme, com algumas mudanças de adaptação (começando pelo charmoso Bela Lugosi ao interpretar o Drácula, e não o sujeito feioso que imaginamos lendo o livro), faz com que seja mais agradável acompanhar a história do Drácula.


Essa foi a semana 3 desse projeto que tá ficando cada dia melhor. Tem exigido uma disciplina enorme, mas tem sido muito recompensante.

A próxima semana não tem um tema específico, mas os filmes já estão separados.


Imagens retiradas do site IMDB.

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler tomando um café quentinho.

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